domingo, 31 de janeiro de 2010
o amor segundo daniel galera
é porque apesar de tudo, danilo queria dar-lhe uma nova oportunidade. e talvez seja isso mesmo que anita sente como inaceitável. que o homem que falhou na primeira vez, tenha agora o poder de perdoar. em cordilheira, daniel galera percorre um longo caminho para que apenas uma coisa seja evidente. melhor que o amor, só mesmo o amor. o amor que, no meio da tempestade, guardamos por nós próprios.
perder
anita perdeu a mãe ao nascer, perdeu o pai quando começava a ser adulta, perdeu um livro que teve um enorme sucesso contra o seu desejo, perdeu o amor por um homem que não quis ter um filho com ela, perdeu o filho que trazia no seu ventre, perdeu um outro homem que estava já perdido quando a encontrou, perdeu todas as suas amigas, as suas referências, o seu próprio espaço na casa que um dia fora sua. no fim de tudo isto, dão-lhe oportunidade para recuperar uma das coisas que havia perdido. mas até ela sabe que nunca é possível resgatar aquilo que se perdeu para sempre.
cordilheira
acordo muito cedo este domingo e termino de ler cordilheira, de daniel galera. percorre-se todo o livro a conviver com um bando de adolescentes tardios que vivem a literatura como se ela fosse algo que realmente pudesse mandar nas suas vidas. como outros adolescentes tardios culpam o capitalismo, os personagens argentinos do livro de galera culpam os livros. mas, no entanto, todo o livro é sobre o amor. sobre o amor profundo e encenado que, por um pormenor, acaba. assim, sem menos.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
o nosso eusébio para o século xxi
ou então talvez não seja isso. talvez seja outra coisa completamente diferente. talvez os portugueses reconheçam, finalmente, que não basta ser um país de poetas, que é preciso pagar uns trocos, ir às leituras de poesia, fazer disso um espectáculo. ou então talvez agora a poesia seja um bem de consumo internacional, exportável, bonito para apresentar nas grandes feiras da economia internacional. talvez a poesia seja o nosso novo sol, o nosso vinho, o nosso eusébio para o século xxi. ou talvez estejamos todos parvos. talvez.
imitação do inferno
faz-me lembrar ruy belo. teria este... se não tivesse outro sentido, ser natural de um país subdesenvolvido. ou seja, já não nos bastava a utilização forçada da poesia e da imagem do fernando pessoa em tudo o que é para ser portuguesinho, ainda temos que levar com um gajo a falar um português que não é de lado nenhum. acabamos de entrar numa nova era: aquela em que, tal como as festas dedicadas ao elvis ou ao michael jackson, levamos com fernandos pessoas wannabe's de todos os lados.
chama-lhe remix e pode ser que passe
o jô soares a ler fernando pessoa em "português de portugal" na cidade de lisboa, é um pouco como encontrar zezé camarinha a representar shakspeare em londres.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
mundo
cabe dentro do meu peito um furor de movimentos que não controlo, que não defino. cabe dentro de mim, eu não nomeio. mas os meus braços, as minhas pernas, correm dentro de mim também em prospecção desse rebentamento. cabe dentro de mim, e eu sou enorme. sou as montanhas e os vales lavados a sangue de vida. sou os rios e os mares em marés sempre mais cheias. cabe dentro do meu peito um furor de movimentos que não controlo, e não definho. eu sou um mundo, um mundo, um mundo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)