quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
segredos
trazemos sempre muitos segredos dentro de nós, em sacos, nos bolsos. segredos de sobra para nos pesarem, nos encantarem, nos prenderem. trazemos sempre muitos segredos para partilhar. e depois tu perguntas: partilhar segredos? eu sorrio, sabendo que não preciso de te responder. basta olhar nos teus olhos e já começo a saber um pouquinho mais de ti.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
bebida
não direi dos teus seios no escuro, o nosso futuro é saborear o passado que nunca existiu. digo-te sentada, na espera cuja sede denuncia. digo-te limpa e breve como uma manhã por inaugurar. as leves curvas do teu corpo, os teus lábios entreabertos. digo da força dos teus joelhos, o poder das tuas coxas. as pérolas enegrecidas, a espera, a espera. os copos sempre cheios e nós cansados de os encher. a bebida divina. eu digo.
cinema a preto e branco
dança, dança, a raiz quadrada, o balão das marchas, dança, dança, os pés soltos, as mãos livres, dança, dança, os cabelos mágicos, os lábios solúveis, dança, dança, dança.
a espera
um dia talvez, junto dos cabides de onde desaparece a roupa, um dia talvez, a partir do teu colar de pérolas, das tuas pernas despidas, eu possa rastejar de encontro à minha saliva e nesse gesto encontrar a tua pele. um dia talvez, junto do teu olhar de conquista, um dia talvez, a partir do desprezo a que me votas, as peças antigas, os pés virados para dentro, eu ausente do desejo mas presente, marcado, como uma ferida que não fecha, fica, fica para sempre.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
irmã
as irmãs são aquilo que são e não aquilo que nós queríamos que elas fossem quando nasceram. na verdade, nós também não somos aquilo que imaginávamos vir a ser. as coisas tomam, portanto, os seus respectivos caminhos. as irmãs serão irmãs. nós seremos nós próprios. entre uma e outra coisa há o amor. as coisas tomam, portanto, os seus respectivos caminhos.
outros dezassete
ontem, enquanto percorria os corredores do centro comercial à procura da tua prenda, dei por mim a pensar no que eu era quando tinha dezassete anos. e aquilo que eu me lembro é de estar em casa, numa algazarra, cheio de gente à minha volta. lembro-me de como aos dezassete anos o corpo pede e a cabeça não percebe. lembro-me de ter lido uma série de livros que me ficaram para a vida inteira. lembro-me de ser uma espécie de jogador de futebol sem jeito para a coisa. lembro-me de escrever poemas. lembro-me de que já lá estava tudo, quando eu tinha dezassete anos. tudo muito mal arrumado. é isso que eu te posso desejar hoje. que agora que tens tudo o saibas arrumar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)